O silêncio tem se tornado o bem mais precioso da minha vida. Nas suas entranhas mudas vou buscar meu sono, minha fome, sede e força. Se ao menos pudéssemos controlar o pensamento por alguns segundos, eu pediria uma trégua. Pra que esse movimentação sináptica desesperada respirasse por um momento, sabendo que mesmo com esse avoroço de idéias, nada de interessante sai. Quilômetros de idéias em vão vagando, interrogações que flutuam sem respostas a anos. Restos do cordão umbilical aclamando por um leito tranquilo. Enquanto o vazio do silêncio fecha-se para toda essa barulheira sem sentido.
Deitar-se para dormir sem ao menos rever os acontecimentos, selecionar no travesseiro os interesses cotidianos e fechar os olhos para sonhar com uma utopia longínqua e traiçoeira, são obstáculos pesados que circundam o apavorado silêncio. Freud dizia que era preciso limpar a chaminé do inconsciente para obter ordem no consciente, para organizar a gritaria do surdo. Tarefa difícil e cansativa. Essa ordem tão sonhada só é obtida se os traumas são postos para fora, se a vida é posta pra fora. Os podres e lixos incoscientes vagarão para outra dimensão deixando um caminho aberto para o vazio do silêncio. Resumindo, é falando-se dos incômodos do passado que se obtém ordem no presente.
Vou terminar de escrever sonhando com um silêncio para um cochilo vago. Sei que será impossível pois, 48 horas de confusão desenfreiada ainda não sabem do seu potencial desgraçado. E se seguir a risca nosso querido Freud, vou falar e falar sozinho até cansar e descansar. Longe de um controle consciente entre o silêncio e o lixo mental.
Quem faz uma vez, não necessariamente vai fazer duas. Mas quem faz dez vezes, faz onze.
Minha bipolaridade não é doença, é escolha. Felicidade demais me enjoa, tristeza demais, hum, não preciso nem explicar. Ser chata faz parte, simpática é necessidade. Ou não, não passo o dia sem um surto de loucura. Tenho uma certa mania de dormir chorando de saudades. Irritante quebra o gelo, grossa impõe autoridade. Sendo infantil deixo de ser chata, sendo madura deixo de ser frágil.
Uma hora você está flutuando. Outra hora, você está de baixo da chuva vendo sua vida desmoronar.
Dúvidas
O que fazer quando você se vê sozinho de novo? O que fazer quando finalmente você vê que não está num conto de fadas?
Você tenta fingir pra você e para os outros que ainda há esperanças, que você tem provas de que não está tudo perdido, quando está, ou talvez não esteja? Essa é a mais cruel dúvida que uma pessoa pode ter, não saber se as suas esperanças estão escondendo, camuflando totalmente a realidade, e você vive uma ilusão, na verdade, tudo que você viveu foi uma ilusão, o seu coração, que consegue ser mais bobo que você, acreditou completamente numa mentira. Mas, e se não foi assim? E se a sua mente está enganada? E se tudo foi verdade? E se ele te ama mesmo, e se todas a vezes que você se entregou inteira pra ele valeu a pena?
Bom, um dia você vai saber a verdade, pode ser até mesmo hoje, ou amanhã, semana que vem, pode demorar meses, e quem sabe um ano? Será que foi melhor acabar com tudo pra saber a verdade? Ou era melhor ficar com dúvidas, mas tendo a presença dele todos os dias? Talvez a melhor decisão fosse saber a verdade mesmo. Mas e se ele não te ama? E se nunca mais ele vier te encontrar? E se nunca mais você tocar nele? Mas se ele te amar, ele virá, e as dúvidas desaparecerão.
Mas enquando não saber a verdade, enquanto ficar esperando, vai fazer o que, como vai passar o tempo? Se ele era o seu dia e a sua noite, se só pra ele você contava tudo, se só com ele você era quem realmente você era, se só ele sabia o que você pensava das pessoas? Pra quem você vai contar tudo o que pensa agora?
E a única pergunta que você consegue responder com certeza:
Você se arrepende de ter conhecido ele? Não. EU não me arrependo. Porque agora, eu estou triste como nunca estive, é verdade. Mas quando estive com ele, eu fui feliz como nunca havia sido antes, e sei que sem ele, nunca mais vou ser feliz com a mesma intensidade que um dia um fui.
Karoline Ferreira.
Por maior que seja o buraco em que você se encontra, sorria, porque, por enquanto, ainda não há terra em cima.


